e se sofrer por amor não doesse? e se o conformismo se assemelhasse a um melancolismo ligeiro, levemente agradável? e se o cíume não revelasse qualquer sentimento de posse? e se o amor fosse apenas contemplativo? e se a espiritualidade se encontrasse em tudo o que move? e se a ternura permanecesse em nós? e se a solidão não nos afastasse dos outros? e se a arte fosse redentora?
Herman Hesse, escritor alemão, questionou-se sobre tudo isto. com nostalgia. e que sentimento este tão (in)feliz! digo eu, aquela que o transporta e alimenta...
escreveu sobre a fragilidade da condição humana. sobre o amor, nem sempre correspondido. sobre a sublimação da vida, através da arte. sobre a criação artística, decorrente da privação sentida. sobre a melancolia, fonte inspiradora. sobre a deformidade, que castra o corpo. sobre as viagens interiores, em busca de significado(s). sobre a ternura, força conciliadora. sobre a amizade que, fingindo curvar-se sobre o amor, prevalece e derrota-o (não, não pode ser!). tal como ele, questiono-me. ao contrário dele, revolto-me.
Hesse, para mim representa o grito contido. e eu quero a voz, a vomitar o som. mas escrevo. e escrever dói. arranha. cicatriza. e às vezes reconstrói. questiono-me se estarei feliz ou apenas (des)contente.
Bons comentários literários :))
ResponderEliminarNem sei bem como cheguei a esta página, mas após uma breve leitura aqui deixo um breve comentário...
De Hermann Hesse apenas li " Ele e o Outro" onde a esquizofrenia mundana e tão intrinsecamente dentro dos desejos, afectos e emoções de todos nós se vai desembrulhando numa pacata viagem a Itália...
De Kafka (gostei bastante da reflexão) uma paragem obrigatória onde nos reconhecemos nos misteriosos labirintos das nossas obsessões interiores e lunares, mais perenes ou menos caducas, que ciclicamente se renovam na transformação e devir do tempo...
De Pessoa, esse enorme esotérico que muito me anima (ilumina) a alma em todas os seus escritos, desde as primeiras "Inscriptions" à "Mensagem", obra maior e síntese oculta do desvendar do V Império ....
Um livro é sempre um lugar comum, onde uma leitura solitária pode ser partilhada por muitas pessoas numa palavra, numa frase ou numa língua ...
"talvez seja este momento para recomeçar a escrever, quando escrever já não doer..." ... Gostei ;)
Boas Leituras
Sou mesmo amadora nestes cenários bloguistas mas escrever é uma necessidade, apesar da dor. Muito obrigada pela sua breve apreciação!
ResponderEliminarEscrever é uma delícia...
ResponderEliminarAmadora?! hummm ... pelo menos para mim a escrita está óptima, onde posso me identificar facilmente com muitas passagens tais como ..."e se o amor fosse apenas contemplativo? e se a espiritualidade se encontrasse em tudo o que move? e se a ternura permanecesse em nós? e se a solidão não nos afastasse dos outros? e se a arte fosse redentora?"... partilho :) ... ou "e eu quero a voz, a vomitar o som. mas escrevo. e escrever dói. arranha. cicatriza. e às vezes reconstrói. questiono-me se estarei feliz ou apenas (des)contente." está óptimo!! ainda este Março escrevi compulsivamente uns poemas que saíram neste formato lol vomitados, arranhando, cicatrizando e reconstruindo em simultâneo e questionando o mesmo ...
"Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor." A Mensagem, Fernando Pessoa
No amadorismo ando eu que depois de passar por aqui, gostar do que li e ter comentado me impulsionou a criar um blog para ir também colocando umas quantas folhas soltas de quando em vez ☺... a iniciação é sempre um entusiasmo! Depois é só uma questão de perseverança...
Para já ficaram estes últimos poemas de março...
vou seguindo e aguardando próximas publicações ... :)
Obrigada pelas suas palavras.
ResponderEliminarFico feliz, sobretudo, por ter indirectamente impulsionado a criação do seu blogue.
Tem toda a razão quanto à excitação da iniciação! Espero que a perserverança perdure em si e na sua poesia.
Vou acompanhar de perto as suas publicações...