confesso que deixei de ler Lobo Antunes. pela depressão (a dele ou a minha!?). pelo odor a hospital que emana dos seus livros.
admito que até ao oitavo livro me seduziu a complexidade e densidade psicológica dos seus textos, a sobreposição de narrador, de tempo, de espaço, das personagens.
tal como num poema cantado pela Amália, senti com a leitura dos seus livros, a “voz de móvel que estala”. e eu gosto de estalar, apesar do medo.
quem é este homem perturbado que escreve sobretudo sobre si próprio, ferido no cerne da seu percurso burguês?
que vozes são essas que ferem, que invadem o sentir com um manto de disfuncionalidade?
que traumas são esses que impedem o crescimento? que amor é este, tão impossível? que tempo é este, tão labiríntico?
ele aguarda respostas. eu deixei de esperar . ele suja a realidade. eu quero a fantasia.
provavelmente ele é genial. e eu? eu quero as minhas vozes. quem dera que fossem limpas!
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