acabei de ler “Livro” do José Luís Peixoto. como é possível sentir-me tão identificada com um autor, com as suas palavras? a resposta está na sua prosa poética e visceral, qual aparente contradição!
acompanho há muito a obra deste jovem escritor velho. velho sapiente nas palavras mas não gasto na idade. nem na vida dos livros, qual eternidade!
pela mão da morte e do luto, juntei-me a ele e falei-lhe do voo das palavras apetrechadas de asas que o seu livro “Morreste-me” trouxe até mim, também órfã de PAI.
veio depois o fascínio pelo seu estilo inconfundível, suavizado no tempo, agora com menos sangue, untado com a mesma dor. talvez que o que nos une seja isso mesmo: a dor!
nos seus livros povoam personagens surreais, cenários grotescos, perdas (i)rreparáveis, trajectos de vidas reais. a memória. a velhice. acontecimentos marcantes, na pele, no corpo. e o amor, cru, sexual, quase sempre correspondido.
é grandiosa a sua capacidade de nos levar a olhar para dentro, antes da pele, antes do corpo. antes e depois da dor. lá dentro, do lado de cá. e nesta língua tão nossa, enriquecida com este português: escritor grande!
Sem comentários:
Enviar um comentário