e se sofrer por amor não doesse? e se o conformismo se assemelhasse a um melancolismo ligeiro, levemente agradável? e se o cíume não revelasse qualquer sentimento de posse? e se o amor fosse apenas contemplativo? e se a espiritualidade se encontrasse em tudo o que move? e se a ternura permanecesse em nós? e se a solidão não nos afastasse dos outros? e se a arte fosse redentora?
Herman Hesse, escritor alemão, questionou-se sobre tudo isto. com nostalgia. e que sentimento este tão (in)feliz! digo eu, aquela que o transporta e alimenta...
escreveu sobre a fragilidade da condição humana. sobre o amor, nem sempre correspondido. sobre a sublimação da vida, através da arte. sobre a criação artística, decorrente da privação sentida. sobre a melancolia, fonte inspiradora. sobre a deformidade, que castra o corpo. sobre as viagens interiores, em busca de significado(s). sobre a ternura, força conciliadora. sobre a amizade que, fingindo curvar-se sobre o amor, prevalece e derrota-o (não, não pode ser!). tal como ele, questiono-me. ao contrário dele, revolto-me.
Hesse, para mim representa o grito contido. e eu quero a voz, a vomitar o som. mas escrevo. e escrever dói. arranha. cicatriza. e às vezes reconstrói. questiono-me se estarei feliz ou apenas (des)contente.